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    Início » O que mudou no São Paulo: por que as joias de Cotia sumiram com Roger Machado
    São Paulo

    O que mudou no São Paulo: por que as joias de Cotia sumiram com Roger Machado

    Entenda a estratégia de Roger Machado e o novo critério técnico que afastou 11 promessas da base dos relacionados.
    Por Pantani Mendanha21 de março de 2026Atualizado:21 de março de 2026
    O que mudou no São Paulo: por que as joias de Cotia sumiram com Roger Machado
    Roger Machado comandou primeiro treino no São Paulo — Foto: Erico Leonan / São Paulo FC
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    O Dilema de Cotia: A Nova Hierarquia no Elenco de Roger Machado

    A transição entre a base e o profissional é, historicamente, o momento mais sensível na carreira de um jogador de futebol. No São Paulo, clube que ostenta um dos centros de formação mais vitoriosos do mundo, essa etapa ganhou contornos de incerteza nas últimas semanas. O que antes parecia um fluxo natural de aproveitamento de jovens talentos sob o comando de gestões anteriores, agora passa por um funil rigoroso estabelecido por Roger Machado.

    O “sumiço” de 11 atletas formados em Cotia da lista de relacionados não é um evento isolado ou um descaso com o patrimônio do clube, mas o reflexo imediato de uma mudança de filosofia técnica. Em um cenário de pressão por resultados imediatos, a “Era Roger” inaugura um período onde o currículo na base cede lugar à prontidão tática e física no dia a dia do CT da Barra Funda.

    Contexto atual: O funil estreito da Barra Funda

    No início da temporada, a presença de jovens da base nas listas de convocados para as partidas era frequente, chegando ao ápice de seis atletas de Cotia relacionados simultaneamente em três ocasiões distintas (contra São Bernardo, Portuguesa e Ponte Preta). Entretanto, o panorama mudou drasticamente. Nas últimas quatro partidas, o aproveitamento despencou, restando apenas nomes pontuais como o lateral Maik.

    Este cenário desenha um novo mapa de prioridades. Dos 11 jovens que integram o elenco principal, a maioria encontra-se em um “limbo” competitivo: treinam com os profissionais, mas não figuram no banco de reservas. A explicação oficial reside na “opção técnica”, um termo amplo que mascara a busca de Roger Machado por uma equipe mais cascuda e menos exposta às oscilações naturais da juventude.

    A exceção que confirma a regra: O caso Maik

    Maik consolidou-se como o único sobrevivente frequente deste grupo. Com 14 relações e oito jogos disputados, o lateral-direito conseguiu furar a bolha da desconfiança. Sua escalação como titular contra o Atlético-MG, mesmo com a contratação de Lucas Ramon, demonstra que o novo treinador não descarta a base, mas exige um nível de resposta imediata que os demais ainda não entregaram.

    Análise profunda: O peso da transição e a gestão de ativos

    A decisão de Roger Machado em restringir o uso da base levanta um debate sobre a gestão de ativos do São Paulo. Jogadores como Lucca (18 anos) e Pedro Ferreira (18 anos), que tiveram minutagem relevante no início do ano, viram o espaço minguar.

    O núcleo do problema: Maturação vs. Necessidade

    O futebol moderno exige uma intensidade que, muitas vezes, o jovem recém-saído do sub-20 ainda não possui de forma constante. Roger Machado é um treinador conhecido por valorizar o posicionamento e a leitura de jogo defensiva. Para muitos desses 11 jogadores, o hiato entre o que entregavam na Copinha e o que o esquema de Roger exige é o principal obstáculo.

    Dinâmica estratégica e política

    Politicamente, o São Paulo sempre se orgulhou de “fazer em casa”. Contudo, o departamento de futebol parece ter dado carta branca ao treinador para priorizar a performance imediata. A ausência de nomes como Negrucci e Tetê das listas de relacionados sinaliza que o clube prefere o “choque de realidade” de treinamentos intensos à exposição precoce em jogos de alta voltagem.

    Bastidores: O “efeito ioiô” entre o CT e Cotia

    Um detalhe crucial que passa despercebido pelo grande público é a logística de integração. Mesmo sem serem relacionados, esses atletas não estão estagnados. O clube implementou um sistema de fluxo contínuo onde os destaques da última Copinha “descem” para o sub-20 sob o comando de Allan Barcellos para manterem o ritmo de jogo em vésperas de partidas importantes.

    Essa manobra visa evitar a desvalorização do atleta e a perda de condicionamento físico. Contudo, nos últimos 30 dias, esse movimento ocorreu apenas três vezes, evidenciando que a prioridade de Roger é manter os jovens sob seus olhos, ainda que não os utilize. É uma estratégia de observação silenciosa: o treinador quer moldar esses jogadores no ambiente profissional antes de lançá-los definitivamente.

    Comparação histórica: Do DNA de formação à urgência de títulos

    Ao compararmos com gestões anteriores, como as de Telê Santana ou até mesmo o período recente de Muricy Ramalho na coordenação, a utilização da base sempre foi um pilar. Entretanto, o São Paulo de 2026 enfrenta uma concorrência interna feroz. A contratação de jogadores experientes para compor o elenco elevou a régua.

    Diferente de safras passadas, onde a base entrava por necessidade financeira ou falta de opções, o elenco atual é robusto. Isso permite a Roger Machado o “luxo” de não queimar etapas, algo que, embora frustre o torcedor que deseja ver as joias em campo, pode proteger a carreira desses atletas a longo prazo.

    Projeções futuras: O que esperar para o restante da temporada?

    O cenário para os 11 de Cotia deve mudar após o período de amistosos da Seleção Brasileira Sub-20. Com as convocações de Igor Felisberto, Djhordney, Pedro Ferreira e Lucca, esses atletas ganharão uma vitrine externa que pode forçar Roger Machado a reavaliar sua utilização.

    1. Cenário A: O sucesso na Seleção Sub-20 gera pressão externa e interna por oportunidades, acelerando a integração.
    2. Cenário B: Roger mantém a postura conservadora, priorizando a segurança tática até que o time atinja uma estabilidade que permita o “risco” da juventude.

    Conclusão: A meritocracia sob o olhar de Roger Machado

    A ausência dos jovens de Cotia nos jogos do São Paulo não deve ser interpretada como um fim de ciclo, mas como um novo começo. Roger Machado está estabelecendo uma cultura de merecimento baseada na evolução tática diária. Como o próprio treinador afirmou, ele ainda está “avaliando muita coisa”.

    Para o torcedor, resta a paciência. Para as joias de Cotia, resta a adaptação. O São Paulo continua sendo um celeiro, mas a porta de entrada para o time principal agora exige mais do que talento; exige a maturidade de quem compreende que, no futebol de alto nível, o nome na lista de relacionados é uma conquista, não uma garantia.


    As informações têm como base apuração publicada pelo portal: Ge.

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