A despedida da Ponte Preta da elite do futebol paulista neste domingo, às 20h30, carrega um peso que vai além do melancólico rebaixamento já confirmado. No Moisés Lucarelli, o time de Campinas encara o São Paulo com a missão desesperada de evitar uma marca vexatória: terminar o estadual sem conquistar uma única vitória. O último respiro de dignidade da Macaca na competição depende de um triunfo que não apenas interromperia a seca atual, mas também resgataria um domínio sobre o rival que não se vê há quase meio século.
O fantasma de 1981 e a chance de um tri inédito no século
Embora o momento atual seja sombrio, a Ponte Preta ostenta uma curiosa vantagem recente sobre o Tricolor Paulista. Após vencer por 2 a 0 em 2024 e bater o adversário por 2 a 1 no Morumbis em 2025, o clube campineiro tem a chance de completar uma trinca de vitórias consecutivas sobre o São Paulo. Caso consiga os três pontos, a equipe igualará uma sequência histórica obtida apenas entre os anos de 1980 e 1981.
Naquela época de ouro, a Macaca empilhou três resultados positivos de 1 a 0, consolidando-se como uma força do interior que batia de frente com os gigantes da capital. Desde então, em 45 anos de confrontos, a Ponte jamais conseguiu superar o São Paulo por três vezes seguidas, esbarrando sempre na superioridade técnica do clube do Morumbi, que lidera o retrospecto histórico com 68 vitórias em 132 partidas.
Crise administrativa e o risco de marca negativa inédita
O técnico Marcelo Fernandes lida com um vestiário blindado contra o caos institucional. Fora das quatro linhas, a Ponte Preta vive um dos períodos mais turbulentos de sua centenária história. Com salários atrasados desde o segundo semestre de 2025 e sufocada por processos judiciais, a Macaca ainda sofreu com um transfer ban que comprometeu o planejamento inicial da temporada.
O impacto dessa desorganização é nítido na tabela. Se não derrotar o São Paulo, a Ponte Preta registrará a pior campanha de sua história em campeonatos de pontos corridos, encerrando o torneio com o contador de vitórias zerado. Para uma torcida que viu o time ser campeão da Série C recentemente, o cenário de terra arrasada no Paulistão é um golpe duro na identidade do clube.
Projeção e o que vem pela frente
Apesar do descenso para a Série A2, a vitória neste domingo é tratada internamente como o combustível necessário para a sequência de 2026. O calendário ainda reserva a terceira fase da Copa do Brasil e a disputa da Série B, competições onde a Macaca precisará de uma reformulação profunda para recuperar a confiança. Vencer o São Paulo não apaga o rebaixamento, mas impede que o clube entre em campo no cenário nacional carregando o fardo psicológico de meses sem celebrar um triunfo.
Com informações do site: GE
