O Flamengo de 2026 vive um paradoxo milionário: apesar de ter aberto os cofres para reforçar as beiradas do campo, a ponta esquerda tornou-se um “buraco negro” de incertezas. Nos primeiros cinco compromissos oficiais da equipe principal neste ano, o técnico Filipe Luís ainda não conseguiu repetir uma escalação no setor por dois jogos consecutivos. Essa rotatividade evidencia um desafio tático que vai além dos nomes, impactando diretamente a fluidez ofensiva de um time que carrega a pressão de dominar o cenário nacional.
Investimento pesado e rendimento sob suspeita
A frustração da torcida e da comissão técnica ganha contornos financeiros impressionantes. Somadas, as contratações de Everton Cebolinha e Samuel Lino custaram aproximadamente R$ 228 milhões. Lino, que chegou com status de estrela após investimento de 22 milhões de euros, ainda busca o ritmo ideal. O planejamento do Departamento de Futebol é que o atleta atinja seu ápice físico após a pré-temporada, justificando o alto valor pago antes da “era Paquetá”.
Por outro lado, Cebolinha, embora seja o mais utilizado, exemplifica a instabilidade do setor. Apesar de ter sido titular em três das cinco partidas, o camisa 11 não conseguiu completar 90 minutos em campo, sendo substituído em todas as oportunidades. O único lampejo de efetividade veio em um clássico contra o Fluminense, curiosamente quando saiu do banco de reservas para balançar as redes.
Experiências frustradas e o “Não” para Paquetá na esquerda
A busca por soluções levou Filipe Luís a improvisos que, até agora, cobraram um preço alto. Na decisão da Supercopa contra o Corinthians, a aposta no colombiano Carrascal pelo setor terminou em prejuízo técnico e disciplinar, após a expulsão do meia ainda na etapa inicial. O episódio reacendeu o debate sobre a utilização de Lucas Paquetá na função.
Entretanto, o comandante rubro-negro foi categórico ao descartar o principal reforço da temporada como um ponta-esquerda clássico. Embora Paquetá tenha exercido esse papel no West Ham e na Seleção Brasileira, Filipe Luís prefere utilizá-lo por dentro ou vindo da direita, buscando maior participação na armação central. Essa decisão limita as opções de “escape” pelo lado esquerdo a jogadores que, no momento, enfrentam crises de confiança.
Projeção: O teste contra o Sampaio Corrêa
O confronto deste sábado contra o Sampaio Corrêa, no Maracanã, não é apenas mais uma rodada do campeonato. Trata-se de um laboratório crucial para Filipe Luís ajustar o equilíbrio entre Bruno Henrique — que vem sendo sacrificado como referência central na ausência ou revezamento com Pedro — e os pontas de ofício. A manutenção desse rodízio desenfreado pode custar caro ao entrosamento do ataque em momentos decisivos do ano.
Se Samuel Lino não entregar a performance esperada e Cebolinha continuar oscilando, a diretoria poderá sofrer novos questionamentos sobre o planejamento do elenco. O impacto é imediato: um Flamengo previsível pela esquerda facilita a marcação adversária e sobrecarrega as jogadas individuais pelo centro do campo.
Com informações do site: GE