O Flamengo atingiu um patamar financeiro inédito no continente, mas o teto ainda está longe de ser alcançado. Em entrevista recente ao jornal espanhol As, o presidente rubro-negro, Bap, revelou que o clube possui fôlego para gastar até 50% a mais do que investe atualmente no futebol. Com uma arrecadação que superou os R$ 2 bilhões em 2025, o mandatário descreveu o Mais Querido como uma “ilha” de gestão no Brasil, operando sob uma lógica de entretenimento global similar à da Disney.
A “Fórmula Coca-Cola” e o Fair Play Financeiro
A estratégia por trás do sucesso não é segredo, mas sim disciplina. Enquanto rivais brasileiros comprometem quase a totalidade de suas receitas com folhas salariais, o Flamengo utilizou apenas 40% de seu faturamento com o departamento de futebol no último ano. Bap defende fervorosamente a implementação do Fair Play Financeiro no Brasil, alegando que, sob regras rígidas de controle, a disparidade do Flamengo para os demais clubes aumentaria drasticamente.
O dirigente explicou que o modelo de negócio rubro-negro foi blindado para não depender exclusivamente de troféus. Mesmo que o time passasse uma temporada sem conquistas, a projeção de crescimento orgânico da receita seria de 25%. Essa robustez permitiu a repatriação histórica de Lucas Paquetá, contratado junto ao West Ham por R$ 260 milhões, a maior cifra já vista no mercado nacional.
Por que o novo estádio ficou em segundo plano?
Diferente do que muitos torcedores esperavam, a construção de uma arena própria não é a prioridade imediata. O motivo é puramente matemático e envolve a atual conjuntura econômica do país. Bap destacou que, com as taxas de juros elevadas, o custo de financiamento de um estádio de 500 milhões de euros consumiria anualmente o valor equivalente a “dois Lucas Paquetás” apenas em juros.
Além disso, a gestão atual transformou o Maracanã em uma máquina de lucro. Sob o novo contrato de concessão de 19 anos, a margem operacional por partida saltou de modestos 3% para impressionantes 72%. Para a diretoria, é mais vantajoso manter o dinheiro em caixa para reforçar o elenco e usufruir de um estádio que já rende resultados excelentes do que se endividar em uma obra faraônica.
Inspiração europeia e o topo do continente
A meta de Bap é clara: consolidar o Flamengo como o Real Madrid das Américas. O presidente afirmou que utiliza os modelos de gestão do Manchester City e do Bayern de Munique como bússolas para adaptar as melhores práticas globais à realidade sul-americana. O objetivo é criar um ecossistema onde a marca Flamengo seja consumida como produto de entretenimento, expandindo fronteiras para a Ásia e Estados Unidos, tal qual os gigantes da Champions League.
Projeção e Impacto no Futebol Brasileiro
O domínio financeiro do Flamengo coloca o clube em uma posição de hegemonia que desafia o equilíbrio competitivo do Brasileirão. Com a possibilidade real de dobrar investimentos caso o Fair Play Financeiro seja aprovado, o Rubro-Negro tende a se isolar ainda mais como a principal potência do continente.
Para a temporada que se segue, a expectativa é que o clube mantenha a política de “tiros certos” no mercado, priorizando atletas de nível de Seleção Brasileira para garantir a manutenção dos títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, mantendo a roda da receita girando em níveis recordes.
Com informações do site: GE
Leia mais:
