O Coritiba decidiu mudar o patamar de sua atuação no futebol feminino. Em um movimento estratégico liderado por sua SAF, o clube paranaense anunciou nesta segunda-feira que, pela primeira vez na história, terá gestão 100% própria da modalidade. O encerramento da antiga parceria com o Imperial marca o início de uma era de autonomia, onde o Alviverde assume não apenas os custos, mas toda a operação técnica, médica e administrativa das “Gurias do Coxa”.
Estrutura de elite e direitos garantidos
O salto de qualidade é visível na nova rotina das atletas. O clube garantiu a profissionalização via CLT para todo o plantel, um avanço crítico em um cenário onde muitas jogadoras ainda vivem na informalidade. Para sustentar essa ambição, o departamento feminino agora conta com profissionais exclusivos, incluindo fisioterapeutas e preparadores de goleiras contratados diretamente pelo clube.
A nova “casa” das jogadoras será o CT Eco Place, equipado com infraestrutura moderna para recuperação física e treinamentos em diferentes pisos (gramado sintético e areia). Contudo, o vínculo com a tradição permanece: o histórico Estádio Couto Pereira e o CT da Graciosa continuarão sendo os palcos oficiais para partidas e momentos decisivos da temporada.
Reforços estratégicos e o “efeito Copa do Mundo”
A seriedade do projeto já reverbera no mercado. A zagueira Thamirys da Silva, ex-Avaí Kindermann e com larga experiência na Série A1, é o rosto dessa nova fase. Sua chegada simboliza a atratividade de um projeto que oferece estabilidade em meio às crises que assolam outros clubes tradicionais da modalidade.
O contexto não poderia ser mais favorável. A menos de 500 dias para a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, o Coritiba acelera sua estruturação para se tornar um polo formador e competitivo. Segundo o coordenador Christian Kogut, a meta é clara: colocar o Coxa entre os principais players do país, utilizando o monitoramento constante e, em breve, o desenvolvimento de categorias de base próprias.
Desafios e calendário em 2026
Sob o comando do técnico Rafael Lopes, o Coritiba tem um calendário cheio e a responsabilidade de quem defende o título estadual. O grande objetivo esportivo do ano, no entanto, é o acesso à Série A2 do Campeonato Brasileiro. A jornada na Série A3, prevista para março, será o verdadeiro termômetro para validar a nova metodologia de trabalho. Além do nacional e do Paranaense, a equipe também disputará a Copa do Brasil.
Análise: O impacto do “guarda-chuva” da SAF
A decisão do Coritiba de trazer o feminino para o seu “guarda-chuva” definitivo é um divisor de águas. Ao eliminar intermediários, o clube ganha agilidade na tomada de decisão e fortalece a identidade da marca com a torcida.
Esportivamente, a projeção é otimista: com um elenco motivado por garantias trabalhistas e infraestrutura de ponta, o favoritismo no Paranaense se consolida, e o acesso nacional deixa de ser um sonho para se tornar uma obrigação técnica. O sucesso deste projeto será fundamental para provar que a gestão profissional da SAF pode, de fato, elevar todas as vertentes de um clube centenário.
Com informações do site: GE