O Scarpelli amanheceu sob o signo da reformulação. Nesta sexta-feira (3), o Figueirense oficializou mudanças significativas em seu setor defensivo, mais especificamente na lateral-esquerda. Com o encerramento do Campeonato Catarinense e a proximidade das competições nacionais, a diretoria alvinegra deu início a uma “limpeza” no elenco, confirmando as despedidas de Wesley Costa e Matheus Mascarenhas. A decisão, que ocorre em um momento crucial de planejamento, não é apenas uma movimentação burocrática, mas um sinal claro de que o perfil técnico exigido para a sequência da temporada sofreu alterações drásticas sob o comando da atual gestão.
O movimento no Scarpelli: Contexto atual detalhado
O Figueirense atravessa um período de transição tática e financeira. Após uma campanha de altos e baixos no estadual, a necessidade de oxigenar o grupo tornou-se evidente. A lateral-esquerda, posição frequentemente criticada pela torcida, foi o primeiro alvo dessa reestruturação.
Wesley Costa, jovem de 22 anos, teve sua saída selada por meio de um empréstimo ao ASA de Alagoas. O jogador disputará a Série D do Campeonato Brasileiro, um movimento que visa dar rodagem ao atleta, mas que, na prática, encerra seu ciclo em Florianópolis. Como seu contrato com o Furacão expira ao fim desta temporada e o empréstimo cobre justamente este período, o retorno de Wesley ao Orlando Scarpelli é tecnicamente improvável. Já Matheus Mascarenhas encerra sua passagem de forma mais silenciosa, com o término de seu vínculo contratual e sem deixar saudades em campo neste ano.
O evento recente decisivo: Por que agora?
O que mudou para que o Figueirense agisse com tamanha celeridade? O fator determinante foi o encerramento da fase de avaliação pós-estadual. A diretoria identificou que manter jogadores que não seriam aproveitados na Série C inchava a folha salarial e impedia a chegada de novos nomes. Wesley Costa, apesar de ter atuado em 10 partidas (nove no Catarinense e uma na Copa do Brasil) e contribuído com duas assistências, não convenceu a comissão técnica de que seria o titular absoluto para o desafio nacional. A saída de Mascarenhas, por sua vez, resolve uma lacuna de ocupação, já que o atleta passou meses no Departamento Médico.
Análise profunda: O dilema da lateral-esquerda
Núcleo do problema: Produtividade vs. Disponibilidade
O núcleo da questão no Figueirense reside na baixa produtividade do setor em momentos decisivos. Wesley Costa alternou bons cruzamentos com falhas de posicionamento defensivo. Já Mascarenhas foi uma aposta que esbarrou na fragilidade física. Remanescente de 2025, o jogador sofreu uma lesão muscular grave em dezembro, durante a Copa Santa Catarina, e passou toda a temporada de 2026 em recuperação. Embora o clube informe que ele está “totalmente recuperado”, a opção de não renovar o contrato mostra que o clube não está disposto a correr riscos com atletas de histórico clínico incerto.
Dinâmica estratégica e financeira
Financeiramente, o Figueirense opera com um orçamento milimetrado. Cada contrato encerrado ou empréstimo efetuado abre margem para a busca de jogadores com perfil de Série C — atletas com maior vigor físico e experiência em torneios de contato. A saída simultânea de dois jogadores da mesma posição sugere que o clube já possui negociações avançadas para uma reposição de peso, ou que promoverá talentos da base que demonstraram maior potencial nos treinamentos recentes.
Impactos diretos no elenco
A saída de Wesley e Mascarenhas gera um vácuo imediato que obriga a comissão técnica a improvisar ou acelerar a integração de novos reforços. O impacto direto é a perda de profundidade no elenco, mas o ganho esperado é a elevação do nível médio da posição, caso as futuras contratações sejam assertivas.
Bastidores e contexto oculto: A nova filosofia de gestão
Nos bastidores do Scarpelli, comenta-se que a filosofia da “meritocracia técnica” está sendo aplicada com rigor. A saída de Wesley Costa para o ASA-AL foi vista como uma solução diplomática: o jogador ganha vitrine em um clube tradicional do Nordeste e o Figueirense se livra de um salário que não estava revertendo em protagonismo.
O contexto oculto envolve a pressão da torcida alvinegra, que tem exigido um time mais aguerrido. A diretoria entendeu que manter jogadores “remanescentes” de campanhas questionáveis, como Mascarenhas, alimentava um sentimento de estagnação. A ruptura com esses nomes é, acima de tudo, uma resposta política às arquibancadas, mostrando que ninguém é intocável na busca pelo acesso.
Comparação histórica: O carma das laterais no Figueirense
Historicamente, o Figueirense teve dificuldades em consolidar laterais após a saída de nomes icônicos. Desde as quedas de divisão, a posição de lateral-esquerdo tornou-se um “moedor” de jogadores no Scarpelli. Diferente de anos de glória na Série A, onde o clube revelava alas para o mercado europeu, o cenário atual é de rotatividade alta. A saída de Wesley e Mascarenhas assemelha-se a outras limpezas de elenco ocorridas em 2021 e 2023, quando o clube também precisou enxugar o grupo para tentar, sem sucesso, uma arrancada na Série C. A esperança agora é que a lição tenha sido aprendida e a reposição seja de um nível técnico superior.
Impacto ampliado: O mercado catarinense e a Série D
A movimentação impacta o mercado regional. O empréstimo de Wesley para o ASA-AL fortalece uma equipe que é adversária indireta de clubes catarinenses em níveis nacionais. Além disso, a saída desses atletas coloca o Figueirense novamente como um “player” ativo no mercado da bola, buscando peças em clubes eliminados nos estaduais de menor expressão ou em reservas de luxo de grandes centros. O efeito dominó pode trazer para Florianópolis jogadores que buscam a última chance de brilhar em 2026 em um clube de massa.
Projeções futuras: O que esperar do Figueirense?
Com a saída dos dois laterais, os cenários possíveis para o Figueirense são:
- Cenário de Investimento: O anúncio, nos próximos dias, de um lateral de “nome” para a Série C, acalmando os ânimos da torcida e elevando o patamar defensivo.
- Aposta na Base: A utilização de jovens valores da Copa São Paulo ou do Sub-20, visando lucro futuro, mas assumindo o risco da inexperiência em um torneio hostil como a terceira divisão.
- Equilíbrio Tático: A mudança de esquema para uma linha de três zagueiros, utilizando alas mais ofensivos, o que justificaria a dispensa de laterais de ofício que não entregavam o vigor necessário para o corredor canhoto.
A tendência é que o Figueirense anuncie ao menos um reforço para a posição antes da estreia no torneio nacional, sob pena de iniciar a competição com uma fragilidade exposta no flanco esquerdo.
Conclusão
As saídas de Wesley Costa e Matheus Mascarenhas marcam o fim de um capítulo de incertezas na lateral do Figueirense. Enquanto Wesley busca o recomeço no futebol alagoano, Mascarenhas encerra uma jornada marcada por lesões que o impediram de mostrar seu valor em 2026. Para o Figueirense, a “página virada” é necessária para que o clube consiga construir uma trajetória sólida rumo ao tão sonhado acesso. No futebol de alto rendimento, a gratidão pelo trabalho prestado cede lugar à urgência dos resultados, e no Scarpelli, o relógio para a Série C já está correndo.
As informações têm como base apuração publicada pelo portal: Ge.
Leia mais:
